Novelização - Legião de Aço
CRÔNICAS DE DADOS:
A LEGIÃO DE AÇO
RPG E NOVELIZAÇÃO POR GUSTAVO CORREIA
CAPÍTULO 1: NO FOGO SE FORJA O AÇO
No princípio, Deus fez o céu e a terra. E então os dragões surgiram.
Mas agora, milhares de anos depois do surgimento dos dragões, um grupo de aventureiros se encontram em uma velha estalagem, a taverna do chifre de bode. Reunidos por uma razão em especial, um mago conhecido como “Pardal”, os enviou a seguinte carta:
Caro aventureiro,
Tenho mais uma missão para você. Um tirano está reunindo joias de poder imensurável. Meus espiões indicam que ele tem um único objetivo cruel: Apagar seres da existência e impedir o nascimento de novas crianças.
Talvez isso seja usado para um ritual, não sei, não tenho muitas informações sobre. Mas o que importa é que nós não vamos permitir.
Estou montando um grupo, seja bem-vindo a Legião de Aço.
Nos encontre na taverna do chifre de bode no primeiro dia da próxima lua. Contamos com você.
O Pardal
O problema? Essa carta foi entregue a eles cinco anos atrás. E eles falharam.
O tirano não está reunindo as joias, ele já as reuniu. O tirano não pretende apagar as pessoas da existência, ele já fez isso. Ele não pretende impedir crianças de nascerem, ele já fez isso. Cinco anos atrás.
E agora, depois de cinco anos que o mundo mudou e as crianças pararam de nascer, um elfo abre a porta da estalagem. Do lado de fora a chuva cai ininterruptamente e um trovão atinge algum lugar da floresta, a sua luz adentra a porta da estalagem e reflete nas placas de aço de um dos aventureiros sentados na mesa, mas não reflete em sua armadura, e sim em sua pele, ele é um forjado-bélico, um brutamontes de três metros de altura feito de ferro, madeira, engrenagens e talvez uma alma em algum lugar, seu nome é Stalvegg.
Frente a ele se encontra um dos homens mais mal encarados que você poderia conhecer, marcado por cicatrizes e vestindo uma pesada armadura de algum metal antigo, ele tem a imponência de um general, seu nome é Baldur Urd.
O som da chuva continua forte, pois a porta da taverna se mantém aberta pelo elfo. Ele permite a passagem de um homem encapuzado que caminha em direção a mesa, ao abaixar o capuz é possível ver uma máscara que cobre metade do rosto do homem e tenta esconder cicatrizes que surgem a partir do olho, esse é Arthur Acatólli.
O elfo fecha a porta e nota que na parte de trás, enfiado na madeira, há um grande machado com runas antigas. Algo que com certeza foi causado pelos seus amigos. O elfo caminha em direção a mesa, joga o capuz molhado para um lado, e no outro coloca um enorme martelo que emana poder mágico. Esse elfo é Baelor de Khrom.
Pelos próximos minutos, a conversa não flui muito. Cada um pede uma bebida e apenas observam as filhas do taverneiro, até o som da chuva voltar a ficar forte pois uma figura abre a porta. Um mago com vestes negras e uma enorme barba acinzentada pelo tempo, esse é o tão aguardado Pardal. Ele para frente a mesa e grita pelo taverneiro.
- Como posso ajudá-lo, Pardal?
- Por favor, me veja um grande porco e um barril de rum envelhecido! Você tem algum que ficou 40 anos em barril de elemental da floresta? Perfeito! Pode mandar dois para a nossa mesa! E coloque na minha conta.
- Claro, senhor! Como quiser.
Pardal olha na direção dos outros aventureiros sentados à mesa e dá um sorriso.
- Nós também merecemos comemorar.
É o que ele diz enquanto remove a pele do seu próprio rosto como se fosse apenas uma máscara. Onde antes estava o Pardal, agora está uma jovem mulher, uma doppelganger com a habilidade de mudar de forma. Seu nome é Amaris Mannusferrum.
Poucos minutos depois o taverneiro retorna.
- O Pardal aguarda vocês no primeiro quarto à esquerda, no segundo andar.
Todos os aventureiros sobem para o segundo andar e entram no quarto, Pardal está parado lá, de costas para os que acabaram de entrar.
- Todos sabem o que aconteceu cinco anos atrás. O que vocês diriam se eu dissesse que há uma nova esperança? Uma nova chance?
Ele dá um passo para o lado e revela alguém que estava parado de frente com ele. Os aventureiros pensam que pode ser um anão, ou talvez um hobbit, mas na realidade é o tipo de coisa que eles não vêem a anos.
- Pelas barbas de Khrom, é uma criança!
Retruca Baelor que fica maravilhado com a esperança que surge em seu coração.
- O nome dele é Tristan. Ele é a única criança que nasceu depois do estalo. Ele tem apenas quatro anos de idade.
- E o que tem de errado com ele? É a criança mais feia que já vi.
Baldur pergunta enquanto observa Tristan. A criança é marcada por traços roxos por todo o seu corpo, sua pele é muito clara, ele não possui cabelo e seus olhos possuem um vazio mágico.
Arthur, o mago versátil nos conhecimentos da Grande Biblioteca da Capital se levanta e responde:
- Não há nada de errado. Ele não é um humano, muito menos um elfo, orc ou anão. Ele é um golias! Uma espécie praticamente extinta… eu mesmo só conheci um… Pardal, você acredita que ele seja filho do…?
- Do tirano? Talvez. Isso explicaria a criatura que está caçando por ele.
Stalvegg dá um passo à frente, suas engrenagens rangem, assim como o piso do chão que aguenta seu peso. Sua voz robótica emite uma pergunta.
- De que tipo de criatura estamos falando?
- É uma espécie de monstro alado, eu não pude observar seus detalhes e não sei que tipo de monstro ele é, mas esteve caçando Tristan por toda Urin. A missão de vocês será simples: Vocês levarão Tristan até a nova base da Legião de Aço, uma montanha no extremo leste de Urin que está protegida por feitiços, a criatura não será capaz de encontrar Tristan lá.
Amaris observa um mapa na parede e identifica onde é a montanha.
- Que caminho devemos fazer para chegar lá?
- Vocês têm algumas opções. Se seguirem pelo sul vão passar pela Trilha Negra de Toth, uma floresta onde não vão encontrar pessoas, mas se encontrarem criaturas, podem ter certeza que elas vão querer suas cabeças. Após a floresta fica a Baía do Peixe Negro, uma cidade portuária cheia de ladrões. Se preferirem seguir pelo norte vão ter que passar pela Bainha da Espada, a cidadela dos orcs. Vocês não vão conseguir derrotar os orcs na força bruta, talvez poderia convencer o líder deles a deixar vocês passarem, esse orc é conhecido como “O Encapuzado”. Depois da da cidadela existe a cidade de Nevenunca, onde há o coliseu de batalhas.
Baldur se lembra perfeitamente de Nevenunca, a cidade onde ele cresceu e onde sua esposa e filho foram assassinados por um ataque de elfos negros. A voz dele falha levemente, mas ele pergunta com firmeza.
- E qual é o terceiro caminho?
- No terceiro vocês serão levados até as ruínas de Manshoom. Uma antiga cidadela de anões que foi destruída por um mal antigo. As ruínas ficam aos pés da Montanha de Môriá, vocês precisarão atravessar por dentro da montanha para chegar em Sistina e logo já chegarão ao seu objetivo. É o caminho mais rápido, mas talvez seja o menos seguro.
- Khazad-dûm.
Stalvegg responde em idioma anão. Baldur observa com confusão no rosto.
- Do que a máquina está falando?
- Não sou máquina, não me chame assim, sou um forjado-bélico. A Montanha de Môriá é chamada pelos anões de Khazad-dûm. Eu fui criado por eles depois que me encontraram soterrado.
- Então a máquina tem experiência em montanhas. É para lá que vamos.
Todos descem para a cozinha da taverna, eles passam por lá desviando de caldeiras quentes onde a comida está sendo preparada, passando ao lado de caixas de vegetal e barris cheios de alho. Eles passam por uma porta que dá em direção a uma rua iluminada pela lua cheia e molhada pela tempestade que assolava a cidade. Dois cavalos relincham, eles estão parados em frente a uma carruagem de madeira, e na frente dos cavalos há um enorme lobo branco. Todos se acomodam na traseira da carruagem, com exceção a Stalvegg que se posiciona como cocheiro. Pardal dá um abraço em Tristan e a carruagem parte. Os cavalos trotam na estrada de pedra da Capital até chegar nos caminhos enlameados, onde eles abandonam a luminosidade da Capital e tomam rumo por dentro da Grande Floresta de Ephraim em direção a sua primeira parada: A pequena vila de Amon Arath.
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