AS ESPADAS GÊMEAS
Há muitas eras, o céu foi cortado por uma estrela caída. Elemoth, o Senhor dos Metais, um elfo que morava solitário na Ilha de Boethia, encontrou o minério vindo da estrela e com ele forjou duas espadas.
A primeira foi chamada Diaftorá, a Espada da Corrupção. Seu aço era negro como o céu antes da primeira alvorada, e sua lâmina cortava não apenas carne. Com ela, foi cometido o assassinato de Khrom, deus das Forjas e das Runas. O sangue de um deus selou a maldição daquela lâmina.
Mas Diaftorá tinha uma irmã: Angathor, a Herança da Traição. Menos conhecida nos cantos dos bardos, mas tão traiçoeira quanto sua irmã. Diferente das espadas feitas para servir, Angathor era leal apenas a si mesma. Ela não era uma serva, mas uma juíza.
Com o passar dos séculos, Angathor encontrou novo destino nas mãos da princesa Evelyne, esposa de Godrick, o Justo, rei das terras de Eldoria — um reino que há muito tempo fora esquecido pelos deuses.
O destino de todos esses nomes se perdeu nas névoas da história: Godrick, Evelyne, Angathor, Eldoria, e até mesmo a espada de bainha dourada que pertencia ao rei justo.
Mas os velhos contam, em vozes baixas à beira do fogo, que a ruína de Eldoria não veio por exércitos, pestes ou dragões — mas pelas mãos de Angathor, que sussurrou mentiras em silêncio, corrompeu juramentos em segredo, e selou o fim de um rei com a traição de um beijo de aço frio.
Desde então, dizem que Angathor ainda vaga, não empunhada, mas escolhendo quem empunhará.
E aquele que a tomar, não governará reinos — será julgado por um rei.

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